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Entrevista  com Ageu Rosa de Lima

 

Ageu Rosa de Lima, um servo dedicado ao Senhor desde berço, envolvido na obra missionária na Amazônia há décadas e uma liderança levantada por Deus para abrir trabalhos, fortalecer comunidades e consagrar seus dons e ministérios para a expansão metodista nesta região brasileira. Atualmente, ele é membro-secretário da Coream e um dos históricos leigos que iniciaram o trabalho metodista em Rondônia. Conheça um pouco mais sobre ele nesta entrevista concedida ao Desafios da Rema.

                            

 

DR: Quando você iniciou sua caminhada na Igreja Metodista?

Nasci em um lar metodista

 

Ageu: Como era naquele tempo ser um cristão evangélico?

Na minha adolescência, no interior do Rio Grande do Sul, eu vivi numa sociedade eminentemente católica. O povo protestante era relativamente pequeno. Vivíamos um pouco do proselitismo que caracterizou a relação entre as diversas igrejas evangélicas e o catolicismo desde que os protestantes se instalaram no Brasil. Os evangélicos tinham pouca expressão numérica, mas eram respeitados pela sociedade como pessoas honestas, corretas e dignas de confiança. 

 

Qual foi um dos fatores que mais lhe marcou naquele período?

- O que me marcou para o resto da vida foi a figura do meu pai. Foi um homem disciplinador e carinhoso ao mesmo tempo. Até para as situações mais seculares que tínhamos que enfrentar ele nos orientava à luz da Bíblia.  Deixou-nos uma grande lição de amor na forma como se dedicou à educação dos filhos e uma grande lição de fé na forma como enfrentou as situações difíceis, inclusive a doença que o levou prematuramente aos cinqüenta e sete anos de idade.

 

Como foi sair da igreja de origem e seguir para outras realidades da Igreja?

 - Esta mudança da origem para outras realidades, não se deu necessariamente no espaço, mas, no tempo. Eu nasci e me criei numa igreja histórica, tradicional, ritualista. Quando fundamos a igreja em Porto Velho, procuramos conservar a forma eclesial da nossa origem. Primávamos pela liturgia, utilizávamos o “Hinário Evangélico” regularmente, inclusive na parte do ritual. 

À medida em que a nossa igreja foi se expandindo pela região amazônica, sem contar com a direção presencial de presbíteros, o sincretismo com as correntes neo-pentecostais foi inevitável. (não estou julgando mérito). Foram introduzidas muitas manifestações que não faziam parte da nossa prática metodista. Como liderança leiga, pastor de dedicação voluntária, muitas vezes pastoreando a Igreja Central, eu procurei a direção de Deus para saber como administrar essas mudanças, e o  Senhor bondosamente me socorreu com a “tese de Gamaliel”: O que é de Deus permanecerá. O que não é de Deus passará.

O que eu concluo após estes anos de mudanças, é que não é a forma de manifestação que faz a pessoa sentir-se pertinho de Deus. Eu tive a felicidade de vivenciar experiências espirituais muito semelhantes em realidades bem diferentes: Tanto em meio a um grande clamor de avivamento, quanto no silêncio do altar de uma igreja tradicional. Segundo o Salmo 51, o que vale é “um coração contrito e arrependido”

Se para me sentir pertinho de Deus eu não consigo prescindir de fatores externos, é possível que eu esteja confundindo reação psicológica com unção do Espírito Santo; Se, para satisfazer as minhas necessidades espirituais e materiais eu preciso de um milagre visível e palpável, onde está a minha fé?

 

E quais eram as “modas” (novidades) que você viu surgir naquele tempo?

- Na minha época de jovem o relativismo era apenas figura de retórica no meio evangélico. Primávamos pela perenidade do Evangelho de Jesus. Cultuávamos um Deus eterno, cujas verdades são imutáveis. Não fazíamos uso do artifício de acomodar as nossas consciências numa pretensa re-leitura da Bíblia. Portanto, a moda, efêmera como é, não cabia naquele contexto. Praticávamos um Evangelho com seriedade. Os “ventos de doutrinas” não sopravam de forma escancarada como em nossos dias. O proselitismo visava unicamente a expansão do Reino de Deus e não favorecer  interesses particulares de pessoas ou grupos. 

 

Você se adaptou bem às outras situações que foi conhecendo e convivendo?

- Para mim não foi difícil adaptar-me às mudanças, porque aprendi a discernir entre o que é fundamental e o que é periférico; o que fere os princípios bíblicos e o que não prejudica. Mesmo assim, eu não consegui aceitar, e até fiz oposição a algumas ações e expressões estereotipadas no meio evangélico, que carecem de um respaldo bíblico. Costumo dizer que estamos vivendo a “geração urubu”. Engole o que vê pela frente. Nem que tenha que vomitar, mas engole. A História é dinâmica, A miúde nos deparamos com situações novas. Mas em todos os momentos procurei não perder o fio condutor que assegura a perenidade do Reino. Nesses momentos de situações novas eu rogo ao Senhor discernimento, pois é a Sua palavra que me ensina: “Julgue todas as coisas, retenha o que é bom”  (I Ts. 5.21).

 

E chegar a Porto Velho significou o que na sua vida e de sua família?

- Significou um desafio de fé tanto no trabalho secular quanto na igreja. A experiência de pioneirismo era para mim e para minha esposa o extremo oposto da forma como vivíamos no sul do país. Foi um verdadeiro mergulho no desconhecido. Porto Velho para nós significou não só uma mudança radical na nossa vida, mas também a plena realização pessoal e profissional. Participamos da educação da juventude em escolas, na Secretaria de Educação, no Conselho Estadual de Educação e na Universidade. Porém conferimos um real significado a nossa vida quando aceitamos o desafio de fundar uma congregação metodista em Porto Velho. Através desta porta que o Senhor nos abriu muitas pessoas têm encontrado um real significado para suas vidas. 

                                   

Como era ser um membro evangélico-metodista há 30 anos atrás?

- O jeito metodista, apesar do bombardeio de “teologias”, continua o mesmo. Nestes trinta anos muitas pessoas passaram pela Igreja Metodista. Eu digo passaram porque, na verdade, não permaneceram. Certamente não se adaptaram ao jeito metodista. Muitos(as) que vieram de outras denominações, até sem convite, tentaram mudar o nosso jeito metodista. Estas pessoas até balançaram a fé de alguns neófitos, mas por pouco tempo. A proposta Wesleyana para o serviço do Reino; a visão bíblica sobre a graça, a salvação, a disposição para a vida de santidade, continuam inabaláveis e apaixonantes. Portanto, eu não vejo diferença entre os metodistas genuínos de hoje e os de 30 anos passados.

 

 E os desafios dos começos da ampliação da Igreja nesta Região do país?

- O desafio de Deus para uma das sete igrejas da Ásia, foi: “Eis que ponho diante de ti uma porta aberta que ninguém pode fechar”(Ap.3.8). Felizmente não foram só os metodistas em Porto Velho os únicos a perceberem  a porta aberta. Ji-Paraná abria um trabalho metodista onze dias após a fundação do trabalho metodista em Porto Velho, sem que uma congregação soubesse da existência da outra. Assim abriram-se portas em Rio Branco, no Acre, em Belém, em Manaus, em Presidente Médici, Ouro Preto do Oeste, Cacoal, Vilhena e por aí vai.

No entanto para nós, mortais, o desafio de Deus é assustador. A porta aberta que Ele coloca diante de nós só é transposta por aqueles que têm  fé inabalável nas Suas promessas. A igreja metodista tem se firmado na Região Norte na medida em que seus membros vão descobrindo que os desafios pressupõem dificuldades, adversidades, renúncia, mas trazem em seu bojo uma promessa dAquele que é fiel e verdadeiro:”...Se fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap.2.10).  

 

Qual a sua leitura eclesiológica dos dias atuais? 

- Em termos de igreja de Jesus Cristo, no meu entender, estamos vivenciando o momento do Terceiro Cavaleiro do Apocalipse, aquele que traz uma balança na mão e regula  o consumo segundo o poder aquisitivo - o mercado. A comercialização da fé alinha-se na mídia com os produtos de consumo; a produção fonográfica evangélica é escrava do processo de produção e consumo; a mensagem escatológica dos púlpitos sede lugar à mensagem materialista de barganha com Deus. A comunidade perde expressão na relação individualista da pessoa com Deus. Igrejas evangélicas, que se supõe súditas do Poder Espiritual celebram convênios eleitorais com partidos políticos.

Minha constante oração é que, pelo menos, as igrejas históricas estejam muito firmes nos fundamentos bíblicos porque estamos passando por uma onda avassaladora de secularismo.

 

A igreja em sua opinião segue sendo comunidade missionária a serviço do povo?

- A Igreja Metodista, sim, do ponto de vista institucional. È a sua proposta. No entanto, apesar de contar com um Plano para a Vida e Missão, grande parte da membresia não tem bem claro como alcançar a comunidade e que tipo de serviço prestar-lhe. 

A expressão “a serviço do povo” soa-nos um pouco como Teologia da Libertação, opção pelos pobres. É preciso, no entanto que se tenha a real dimensão desta proposta de Serviço. Ela parte do próprio Senhor Jesus: “Eu vim para servir”. 

Na minha opinião, as igrejas cristãs, no seu conjunto, apesar de todos os percalços e modismos, têm prestado um valioso serviço à sociedade, quando valoriza a pessoa humana, quando se opõe aos vícios, quando ensina, quando liberta as pessoas da opressão e da angústia, quando restaura a alegria, quando infunde a fé, quando restaura a esperança, quando prega o amor; quando anuncia a salvação e quando denuncia o erro.  É um tipo de serviço que só a igreja pode desenvolver na sua plenitude. Há tipos de serviços em benefício da pessoa humana que só se realizam com a unção do Espírito Santo. Leia Lc.4.18. 

 

E nos dias de hoje ela corresponde às expectativas da salvação para as pessoas?

- Acredito que sim. A igreja metodista tem propostas concretas na aceitação da Bíblia como única regra de fé e prática, nos sermões de Wesley, nas decisões conciliares, nas cartas pastorais, no Plano para Vida e Missão, enfim. Os nossos púlpitos na maioria ainda irradiam mensagens comunitárias, escatológicas que vão de encontro aos anseios transcendentais do ser humano, atestando que a igreja tem procurado permanecer nos fundamentos do Evangelho de Jesus Cristo. Se por um lado preocupa-nos a secularização, o individualismo próprio do capitalismo, o materialismo que tem deslumbrado alguns grupos evangélicos, a Bíblia nos dá a certeza de que estas “portas” não prevalecerão. As igrejas que procuram conservar a pureza do Evangelho de Jesus hão de triunfar, para a glória de Deus.  É promessa de Jesus. “... conserva o que tens para que ninguém tome a tua coroa”. (Ap. 3.11).  

 

As mudanças de CMA para REMA lhe diz o que?

- A condição de Campo Missionário gera uma situação de dependência econômica. Por outro lado, a participação nas decisões conciliares é mínima. Mudar de Campo Missionário para Região Missionária, embora não seja a plena realização da comunidade, não deixa de ser um avanço. Temos que entender que Campo Missionário é uma situação transitória. O grau de responsabilidade da membrezia é que vai determinar o seu tempo de permanência. A mudança de CMA para REMA me sinaliza a disposição da igreja na Região Norte de  caminhar em cadência de marcha para se tornar uma Região Eclesiástica.    

 

Estar a caminho de se tornar uma região é importante em que sentido?

- Difícil é o primeiro passo. A caminhada agora é irreversível, pela Graça de Deus. Estar a caminho de se tornar uma Região Eclesiástica implica numa tomada de consciência de parte do povo metodista, no sentido da conquista de autonomia. É preciso que todos saibamos que conforme decisão do último Concílio Geral, os recursos subsidiados para a manutenção da REMA irão sendo reduzidos paulatinamente até zerar. O que deve acontecer em quinze anos. Portanto a opção dos metodistas do norte do Brasil é “avançar ou avançar” Não tem recuo.          

 

Deixe uma mensagem para os metodistas brasileiros.

- A mensagem que eu deixo aos metodistas, principalmente aos jovens, é que procurem conhecer melhor a sua igreja. O nascimento do movimento metodista no século dezoito, na Inglaterra fecha com chave de ouro um amplo e rico período de debate teológico que foi o período pós-reforma protestante. A igreja metodista representa a síntese desse debate. Temos a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática. A nossa estrutura organizacional não dá lugar a figurões, aos chamados donos de igreja. As decisões teológicas e administrativas são tomadas em concílios com ampla representatividade das igrejas locais. Além da Bíblia Sagrada, temos um farto material doutrinário nos vinte e  cinco artigos de religião, nos sermões de João Wesley, nas cartas pastorais, etc.

Portanto, quando ouvirem soprar ventos de modismos, revelações, teologias de duvidosa sustentação bíblica, ouçam a recomendação do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste...”. (II Tm 3.14).

 




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